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Da série: “Coisas Que Todo Carioca Sabe Mas Que Passam Percebidas Pelos Atentos Olhos das Autoridades”.


Centro, à saída da Estação Carioca.
Como se não bastasse ter de navegar por labirintos de stands de camelôs, abandonando a calçada para ter de andar pela rua, ainda vemos o descaso da iniciativa pública, que age com despropósito ao permitir que ambulantes comercializem seus produtos ilegais livre e lenientemente.
Um total escárnio, pois, como pode um poder público ser levado à sério com agentes impotentes ou, pior, comprometidos?
Da série: “Coisas Que Todo Carioca Sabe Mas Que Passam Despercebidas Pelos Atentos Olhos das Autoridades”.

Estação Botafogo, ~9:00.
Devido a alguma sensível decisão administrativa, comboios provenientes da zona norte são esvaziados à faixa central enquanto os da zona sul pulam a parada, abarrotando uma estreita ilha de concreto entrincheirada entre fossos de trilhos energizados de comutantes à espera de um carro operacional que os leve à sua estação de destino.
Isso sem mencionar os abusivos preços praticados.
Faltou planejamento. Vender o ingresso do pan a preços e por meios fora do alcance das “camadas populares” serviu como um tiro no pé.
“Achei que as vaias foram orquestradas. Era só observar de onde vinham as vaias” de acordo com o ministro do Esporte, Orlando Silva.
A meu ver, nem se premeditadas haveriam tantas aderências ao coro. Se orquestradas, poderia-se dizer que por Serginho.
Quando vi no jornal a imagem gravada pela câmera de segurança de um posto mostrando o preciso momento em que um policial militar atira em um cidadão, por este se revoltar com agressão corporal e moral perpetrada por um vulgo agente da lei, a memória me remeteu à seguinte pintura:
El Tercero de Mayo 1808, Goya.
Você sabe que a situação está preocupante quando o presidente compete com o tráfico pelo eleitorado.
“Nós queremos competir com o crime organizado na certeza de que nós só vamos derrotá-lo na hora em que a gente conseguir levar benefícios pra dentro desses lugares mais pobres do Brasil”, afirma Lula.
A meu ver, o estado paralelo é, na realidade, o governo. Nós, os vassalos, respondemos aos senhores feudais do pó.


