De acordo com o pensamento marxista, o mais indicado a promover a mudança social é o proletariado, por conta do materialismo histórico.

Porém, ouso afirmar que, no Brasil, a mudança social deverá ser advinda da classe média – a burguesia.

Uma conjectura simples, e fácil de ser explicada: o lucro.

Enquanto o povo tem por definição o princípio de tão somente não querer ser oprimido, as classes mais privilegiadas buscam sempre o enriquecimento. Absurdamente, pouco se importam com o paradigma nacional, contanto que possam prover o suficiente para seu próprio conforto.

Entretanto, à medida que a classe, esta capitalista por excelência, conscientizar-se que seus gastos com educação, saúde e segurança haveriam de ser providos pelo estado, este recolhedor de abusivos impostos, haveria uma mudança de paradigmas: cobrando implacávelmente o retorno por seus investimentos, tal como consumidor inflamado que ela o é.

Sendo o estado finalmente cobrado por suas responsabilidades – ao fim da apatia de uma classe dominante, porém letárgica e fraca – acredito que fariam-se saber benefícios não só à ela, mas também à aqueles injustiçados de menores meios e imensurável ânimo.

Naturalmente, faz-se uma neutralização social e diminui-se a larga folga burocrática para a corrupção, demandando-se a aplicação do capital investido. win/win.

Abusiva vem sendo a atuação da mídia nestes episódios de quebra de decoro e foro privilegiado.

Deparamo-nos com duas situações de extrema relevância para a discussão corrente: O caso do deputado, que arrisca ter seu julgamento invalidado por conta de manobras inflamatórias a favor do voto aberto que, ferindo o regulamento interno da instituição, teria tudo para ser declarado improcedente; e o promotor, que teria na perda de sua prerrogativa de defesa aberto debilitante precedente.

Irresponsável é a mídia do ânimo.

Inspetor maconheiro, mas inocente. Irônico.

Vamos começar uma nova campanha:

SmileyRenan

SOLTA A VARA, RENAN

Da série: “Coisas Que Todo Carioca Sabe Mas Que Passam Percebidas Pelos Atentos Olhos das Autoridades”.

Guarda Municipal
Guarda Municipal 2
Centro, à saída da Estação Carioca.

Como se não bastasse ter de navegar por labirintos de stands de camelôs, abandonando a calçada para ter de andar pela rua, ainda vemos o descaso da iniciativa pública, que age com despropósito ao permitir que ambulantes comercializem seus produtos ilegais livre e lenientemente.

Um total escárnio, pois, como pode um poder público ser levado à sério com agentes impotentes ou, pior, comprometidos?

Da série: “Coisas Que Todo Carioca Sabe Mas Que Passam Despercebidas Pelos Atentos Olhos das Autoridades”.

Metrô

Estação Botafogo, ~9:00.

Devido a alguma sensível decisão administrativa, comboios provenientes da zona norte são esvaziados  à faixa central enquanto os da zona sul pulam a parada, abarrotando uma estreita ilha de concreto entrincheirada entre fossos de trilhos energizados de comutantes à espera de um carro operacional que os leve à sua estação de destino.

Isso sem mencionar os abusivos preços praticados.

    Faltou planejamento. Vender o ingresso do pan a preços e por meios fora do alcance das “camadas populares” serviu como um tiro no pé.

“Achei que as vaias foram orquestradas. Era só observar de onde vinham as vaias” de acordo com o ministro do Esporte, Orlando Silva.

A meu ver, nem se premeditadas haveriam tantas aderências ao coro. Se orquestradas, poderia-se dizer que por Serginho.

    Quando vi no jornal a imagem gravada pela câmera de segurança de um posto mostrando o preciso momento em que um policial militar atira em um cidadão, por este se revoltar com agressão corporal e moral perpetrada por um vulgo agente da lei, a memória me remeteu à seguinte pintura:

camera feedEl Tercero de Mayo 1808

El Tercero de Mayo 1808, Goya.

Você sabe que a situação está preocupante quando o presidente compete com o tráfico pelo eleitorado.

“Nós queremos competir com o crime organizado na certeza de que nós só vamos derrotá-lo na hora em que a gente conseguir levar benefícios pra dentro desses lugares mais pobres do Brasil”, afirma Lula.

A meu ver, o estado paralelo é, na realidade, o governo. Nós, os vassalos, respondemos aos senhores feudais do pó.

Parece-me um tanto tendenciosa esta história de somente vender ingressos para as finais de principais eventos do Panamericano pela internet. Favorece-se a segurança, debilitando-se a democracia.

Voltando ao assunto dos rapazes da barra: é só ganharem visibilidade na mídia para a lama ser remexida e o cheiro vir à tona.

Fontes indicam que o motorista, Felippe Neri Neto, já foi parado em blitz e em sua posse encontrada algumas gramas de cocaína. Saiu ileso, por mil reais. Um policial, ganhando dignamente, se prezaria a ser pervertido por mil reais?

Com a devida sincronização com o ministério público, o governo desta cidade poderia realizar tal remanejo de cidadãos de forma minimalmente traumática. Com medidas emergenciais, estas pessoas poderiam ser realocadas a abrigos temporários, disponibilizando-se então serviços de cidadania, como por exemplo cursos de instrução, emissão de documentos e exames médicos em regime de mutirão.

Empregando mão de obra local, empreiteiros da prefeitura haveriam como direcionar estes a construirem suas próprias habitações, em locais apropriados, dando-lhes pleno controle sobre sua comunidade.

Dando-lhes, então, suas necessidades básicas, tal como transporte público eficiente, policiamento ostensivo tendo seu contigente recrutado entre os próprios comuns, e após a encubação de uma economia artificial, fica a dúvida se, em uma década, estes ainda estariam de pé.

Parece-me melhor, porém, que a alternativa.

 

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